
"Também ouvistes que foi dito aos antigos: Não jurarás falso, mas cumprirás rigorosamente com o Senhor os teus juramentos" (Mt 5:33)
A prática de fazer juramentos vem dos tempos mais remotos (Gn 14:22,23). Essa foi a maneira encontrada de garantir a palavra do homem (Hb 6:16). O uso de juramentos era feito na confirmação de pactos (Gn 26:28; 1 Sm 20:16,17), em decisões nos tribunais (Êx 22:10,11), na obrigação de realizar os deveres sagrados (Nm 30:2; 2 Cr 15:14,15; Ne 10:29; Sl 132:1-5), e em muitas outras circunstâncias.

Mesmo não sendo diretamente ordenados, os juramentos eram permitidos, responsabilizando assim quem deles se utilizava (Gn 24:2,3,9; 28:20-22; Nm 30:2; Dt 23:21; 2 Cr 6:22,23; Ed 10:5; Ne 5:12; Jr 4:2).

"Devemos pensar bem antes de prometer alguma coisa a Deus, pois nós poderemos se arrepender depois" (Pv 20:25 - BLH).
A Bíblia mostra vários exemplos de pessoas que se precipitaram em seus juramentos, como Esaú (Gn 25:33), Josué (Js 9:15,16), Jefté (Jz 11:30-36), Saul (1 Sm 14:27,44), Herodes (Mt 14:7-9), e os judeus que queriam matar Paulo (At 23:21)

Ninguém era obrigado a jurar ou fazer votos, mas se obrigava a cumprir quando os fazia (Dt 23:21-23; Sl 50:14; 61:8; 66:13,14; Ec 5:4-6; Ez 17:11-21). Usar nos jurame

O Antigo Testamento empregava o juramento para combater a mentira; mas isso não impedia de que ela se infiltrasse pela prática do perjúrio.

"Eu, porem, vos digo: De modo algum jureis" (Mt 5:34)No Sermão do Monte, Jesus condena os juramentos falsos ou perjúrios (Êx 20:7; Lv 19:12) e a distorção farisaica de querer limitar o cumprimento dos votos. Diziam que apenas os juramentos que incluíam o nome de Deus se tornavam obrigatórios. Jesus disse que não há como evitar referência a Deus, mesmo que não se mencione diretamente Seu nome (Mt 5:34-36; 23:16-22). Ao contrário de contradizer o ensino do Antigo Testamento, Ele apresenta um modelo mais excelente para o cristão.
Se um juramento exige toda a verdade naquilo que se fala, isso pressupõe que na conversação diária há bastante mentira. Jesus ensina que não apenas aquilo que se diz sob juramento, mas certamente a totalidade do que falamos é proferida na presença do Deus que tudo conhece.

III - Os juramentos e o Cristão
"Seja, porém, a tua palavra: sim, sim; não, não. O que disto passar, vem do maligno" (Mt 5: 37)
O que Jesus nos pede nesse versículo é que nossa palavra seja sincera e normal, pois todo e qualquer exagero já constitui uma mentira. Devemos falar sempre como quem vive na presença de Deus, tendo em Jesus o exemplo de quem falou sempre a verdade ( 1Pe 2:22).
O cristão não deve recorrer a juramentos para receber credibilidade, mas deve ter uma palavra tão confiável como se fosse um juramento. O que passar do sim, sim e do não, não, será produto da maldade de nossa natureza caída, como também influência do maligno, que é "o pai da mentira" (Jo 8:44).Jesus nos ensina que a qualidade de vida do cristão deve exceder em muito a dos religiosos fariseus. Essa diferença, entre outras coisas, se manifesta naquilo que falamos, mostrando assim que a mudança é de dentro para fora. Ele mesmo disse: "A boca fala do que está cheio o coração" (Mt 12:34). Tudo o que falamos deve ser verdadeiro e confiável, refletindo tão somente o sentido daquilo que se quer dizer. Para isso, não se faz necessário jurar para autenticar a palavra dita, pois o caráter do cristão dispensa tal recurso.